Assombrações napolitanas

O segundo livro de Domenico Starnone (Nápoles, 1943) está disponível no Brasil e é uma peça a mais no complexo quebra-cabeças napolitano.  Recordando rapidamente o mistério, Starnone é o marido da Anita Raja, a “tradutora” que poderia ser a identidade secreta de Elena Ferrante. Starnone, nos livros conhecidos no Brasil, tem um estilo bastante diverso do mostrado na tetralogia napolitana, com histórias … Continuar lendo Assombrações napolitanas

Anúncios

Ninguém precisa acreditar em Juan Pablo

Após Lupita gostava de engomar, de Laura Esquivel, volto a falar de um mexicano, já mostrado aqui no Blog. Juan Pablo Villalobos (1973) foi comentado por uma trinca de livros (Festa no covil, Se vivêssemos em um lugar comum e Te vendo um cachorro), que formavam um painel onde se viam elementos do México entre as últimas décadas e a atualidade, narrados numa linguagem entre exagero e fantasia, necessária … Continuar lendo Ninguém precisa acreditar em Juan Pablo

Lupita

Laura Esquivel (Cidade do México, 1950) é uma escritora mexicana com oito romances e um livro de contos escritos nos últimos trinta anos. Ela é mais conhecida pelo seu primeiro livro, Como água para chocolate (1989), que também roteirizou para o cinema em 1992 e fez grande sucesso sob a direção de Alfonso Arau (1932). Tanto o livro quanto o … Continuar lendo Lupita

Vila-Matas e seu contratempo

O narrador de Mac e seu contratempo (Companhia das Letras, 2018, tradução de Josely Vianna Baptista, 288 págs.), escrito na forma de um diário, é um construtor falido que prefere ser chamado de Mac, ou isso é o que ele diz nas primeiras páginas.  Vendo-se recentemente “desocupado”, Mac decide escrever o diário no qual especula sobre a vontade de reescrever … Continuar lendo Vila-Matas e seu contratempo

Brechó

Michael Zadoorian nasceu em 1957 em Detroit, Michigan, outrora conhecida como a cidade dos automóveis porque lá ficavam as sedes das grandes montadoras americanas. É um conglomerado de fábricas, asfalto e cimento, com ilhas de bairros residenciais, como se fosse uma reprodução gigantesca e sem a pouca vegetação do início da rodovia Anchieta, na saída para Santos de … Continuar lendo Brechó

Ponto Ômega

No final dos anos 1980, conheci o escritor norte-americano Don DeLillo ao ler o impactante Ruído branco, que descrevia as consequências de um acidente industrial numa pequena cidade americana, inspirado no terrível episódio da Union Carbide em 1984 na Índia, que expôs meio milhão de pessoas a um gás venenoso e causou mais de 2.000 mortes.  Já neste século, ganhei … Continuar lendo Ponto Ômega

O imponderável Bento contra o Crioulo Voador

Joaquim Pedro de Andrade (Rio de Janeiro, 1932-1988) entrou em 1950 na Faculdade Nacional de Filosofia para estudar Física. Viveu apenas 56 anos e destacou-se como cineasta, profissão iniciada no centro acadêmico da faculdade e certamente influenciada pelo ambiente sócio econômico e cultural em que foi criado, em meio à intelectualidade da época.  Dentre seus filmes se destacam Macunaíma (com … Continuar lendo O imponderável Bento contra o Crioulo Voador

Coração e esperança

Maylis de Kerangal é uma francesa de Toulon (1967) que, depois de estudar História e Filosofia e de trabalhar na Gallimard, uma das maiores editoras literárias da França, tornou-se escritora profissional na virada do milênio. Desde então, escreveu pelo menos nove livros, dentre os quais Coração e alma (Rádio Londres, 2017, tradução de Maria de Fátima Oliva do Coutto, com apoio do Instituto … Continuar lendo Coração e esperança

Ana Teresa e Karen

Oceanos é um dos mais importantes prêmios de literatura entre os países de língua portuguesa. Criado em 2003 pela Portugal Telecom, que o nomeava, é aberto, desde 2007, a todos os escritores de países da nossa língua.  Dentre os vencedores estão alguns autores já comentados no Blog, como Cristóvão Tezza (por O filho eterno) e Valter Hugo Mãe (A máquina … Continuar lendo Ana Teresa e Karen

Cidadã de segunda classe?

Buchi Emecheta (1944-2017) foi uma nigeriana da etnia igbo, minoritária do país, mas de melhor formação econômica e social, e que entre 1967 e 1970 liderou a tentativa de independência de Biafra, reportada no livro Meio Sol Amarelo. A etnia dominante no país era a iorubá, cujo povo se distribui por diversos países africanos. Em Cidadã de segunda classe (Dublinense, 2018, … Continuar lendo Cidadã de segunda classe?